Friday, March 10, 2006

"Washing blood off your hands" (João Amaral - In Memoriam)


João Amaral é, no meu período de formação cívica e política, mais do que UM exemplo do que é um parlamentarista. É O exemplo. Na forma como construiu a sua vida política, o meu paradigma pessoal do que é um político sério, com dotes de oralidade e de combate político só ao alcance dos predestinados.

É, também para mim, o exemplo concreto de que não chega ser-se impoluto e incorrompível. Não chega ser-se claro e cristalino nas ideias e na forma de exercer cidadania, porque quando se caminha em matilha, há sempre o perigo de colocarem em causa a nossa sobrevivência. Porque, no caso de João Amaral, e no caso concreto do PCP, a máquina partidária soube tentar triturar, sufocar e asfixiar qualquer tentativa de regeneração. Tentando, como é tão habitual na vidinha político-partidária, contaminar a sua imagem. Imagem essa impoluta. E que assim permanece, contra os seres rastejantes que nunca o souberam olhar nos olhos.

O livro "João Amaral - In Memoriam" não é o discursozinho da praxe, da ascenção beatificada de quem já faleceu. Já antes se ouvia o quanto João Amaral era reconhecido por "fazer política de forma inteligente e por convicção, a sua absoluta integridade e incorruptibilidade, que só podem merecer a evocação, a homenagem e o tributo de todos os democratas» (Telmo Correia, CDS-PP) ou por ser "um dos príncipes da nossa Democracia" (Artur Santos Silva, Presidente do BPI).

A nossa democracia muito deve a João Amaral. E tão estranho foi tê-lo visto sair pela porta do fundo de um partido que não quis ou não soube regenerar-se a tempo de deixar João Amaral mostrar o caminho. Porque, como ele disse: «nenhum projecto, por mais sedutor que pareça, merece ou justifica o sacrifício dos valores da cidadania».

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